Vasco Graça Moura (1942-2014)

Por Detrás da Magnólia

“Soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer

a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,

e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição

que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.”

E as 50 perguntas do Expresso a Vasco Graça Moura, por ocasião dos 50 anos da sua carreira literária, em 2012.

[/via Facebook da Granta Portugal]

Fotografar Sempre (RIP Bernardo Sassetti)

Sassetti fotografa desde “sempre”, “sistematicamente, com máquinas “compradas com o pouco dinheiro que juntava”. “As primeiras eram automáticas mas depois o meu pai ensinou-me a operar com uma reflex. Tinha um conhecimento grande de fotografia e foi o responsável pelo interesse que hoje tenho por ela. Ensinou-me a olhar para as coisas com tempo, a ir à procura de imagens, da luz correcta. Fotografei sempre em filme e só recentemente comecei a utilizar o digital, um pouco por causa deste projecto e pela necessidade de captar grandes sequências com disparos contínuos. Seria quase impossível fazê-lo com tecnologia analógica.” O próximo desafio é aproximar-se das pessoas: “Estou a preparar um projecto que envolve olhar mais para os outros. Até aqui foi para mim difícil fotografar pessoas. Demoro tanto tempo a fazer as coisas, de forma tão intensa, que é difícil pedir a alguém que tenha paciência para me aturar. Claro que faço retratos de família, e sobretudo autoretratos, mas para mim foi sempre difícil fotografar pessoas na rua, pessoas que não conheço.” (in Público/Ípsilon, 25.03.2010)

 

Obrigado, Miguel

Gostava de escrever uma pequena homenagem ao grande Miguel Portas, que ontem perdeu uma batalha longa de dois anos com o cancro do pulmão, mas depois de ler o que escreveram o Rui Tavares e o Henrique Cayatte, acho que a melhor homenagem é mesmo deixar aqui os links para esses dois textos.

“One more thing…”

Algumas pessoas marcam a nossa vida: as que conhecemos, mas também as que nunca vimos. Steve Jobs é uma dessas pessoas. Usei pela primeira vez um Macintosh nos idos de 1990, num estágio que efectuei no jornal “Público”, no seu primeiro ano de vida. A simplicidade da coisa surpreendeu-me, pois toda a gente comentava na altura como os “Macs” eram complicados. Mas só em 2001 comprei pela primeira vez um produto com o logótipo da maçã: um iPod para oferecer ao meu irmão. E só mais tarde, já em 2007, comprei o meu primeiro “brinquedo” com a assinatura da marca de Cupertino: um iPod Touch da primeira geração, que ainda hoje me dá música diariamente.

Mas ao escrever este post no meu Macbook Pro, não é Steve Jobs, o visionário da tecnologia, que me apetece recordar. É o Steve inspirador. É o Steve que lutou contra um cancro no pâncreas durante sete anos, e que chegou a estar convencido de que o tinha derrotado. É o Steve que investiu na Pixar e lhes permitiu dar-nos pérolas como “Toy Story”, “Cars”, “Monsters & Co.” ou “Up”. Porque sempre que os meus filhos revirem as aventuras de Woody e Buzz Lightyear, de Faísca McQueen e Sally, um cantinho secreto dentro de mim sorrirá e, em silêncio, prestará homenagem ao homem que tornou possíveis tantas gargalhadas.

Obrigado Steve, e até sempre.

Tim Hetherington (1970-2011)

O fotógrafo de guerra e realizador britânico Tim Hetherington já era famoso por ter ganho o World Press Photo em 2007 com a foto de um soldado norte-americano no Afeganistão. A sua fama cresceu com a nomeação de Restrepo, o seu documentário sobre a vida de um pelotão americano naquele país asiático, para o Óscar de melhor documentário (filme também premiado no Festival Sundance de 2010). Cobriu ainda conflitos como o da Libéria ou o do Darfur.

Prémio World Press Photo 2007, Tim Hetherington

Tim fotografava com a Canon EOS 5D, carregando consigo dois corpos pois preferia as lentes de distância focal fixa. Referia-se a elas e à câmara de vídeo que também transportava consigo como a sua “armadura pessoal”. Hoje a “armadura” não foi suficiente para o proteger de um RPG disparado pelas forças leais a Kadafi, que o matou enquanto acompanhava os rebeldes na cidade de Misurata. Consigo morreu ainda o fotógrafo americano da Getty Images, Chris Hondros (as suas últimas imagens podem ser vistas aqui).

O último tweet na conta @TimHetherington não prognosticava nada de bom:

http://twitter.com/#!/TimHetherington/status/60293090983940096

A crueza e humanidade de Restrepo ficam como um tributo a Tim Hetherington: