Nous sommes tous Charlie


Posso não gostar das piadas brejeiras do Charlie Hebdo (ao pé deles, o Inimigo Público é o mais elegante dos pasquins), mas defendo como valor supremo a liberdade que lhes permite publicá-las. (Acima, o director do semanário francês – uma das vítimas da barbárie desta manhã – segurando uma das suas polémicas capas, aquando de um anterior atentado contra a sede do jornal, em 2011.)

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A pirâmide virtuosa do Kiva

Kiva

O Kiva é uma plataforma de micro-crédito que nos permite conceder pequenos empréstimos (tipicamente, na ordem dos 25-50 dólares) a empreendedores de países em desenvolvimento, que os utilizam para colmatar a sua falta de acesso ao crédito. Um empréstimo pode servir, por exemplo, para uma costureira do Ruanda comprar uma máquina de costura, para uma merceeira do Peru comprar prateleiras para a sua banca de venda no mercado ou para um agricultor palestiniano comprar sementes (a escolha é sempre nossa). Mas a grande originalidade do site é que, quando o beneficiário do empréstimo reembolsa o nosso dinheiro, o podemos voltar a emprestar a um novo empreendedor, e assim sucessivamente. No exemplo acima (a propósito do Dia da Mãe), um empréstimo original de 150 dólares financiou mais de 1300 dólares de pequenos projectos ao longo de 4 anos.

Emprestar no Kiva não custa… é só vencer a inércia e começar. Até porque a taxa de reembolsos atempados é superior a 98% (nem vos conto qual é a da banca portuguesa). E se mudarem de ideias, podem sempre interromper a corrente de empréstimos e levantar o vosso dinheiro.

Sem abrigo = sem visibilidade?

Orgulho-me de viver com alguém que trabalha nesta área, mas… reconhecê-la-ia nesta situação?
(Não deixa de ser sintomático que este vídeo tenha quase 2 milhões de visualizações no YouTube e, no entanto, a campanha que o promove tenha recolhido pouco mais de 6 mil dólares em donativos.)

O surf quando nasce é para todos

A propósito de uma recente troca de impressões em que fiquei a saber que a acessibilidade das praias portuguesas vai muito mais longe do que eu pensava, aqui fica este fantástico vídeo da Associação Portuguesa de Surf Adaptado.

A repressão na pole position

Realiza-se amanhã o Grande Prémio de Fórmula 1 do Bahrein, prova contestada pelas organizações de direitos humanos do califado como manobra de propaganda de um regime repressivo e em que são cerceadas as liberdades mais básicas.

O cartoonista brasileiro Carlos Latuff é particularmente mordaz nas críticas, o que já lhe valeu ser catalogado pelo regime como tendo “ultrapassado os limites da liberdade de expressão”(!).

Os seus cartoons alusivos à prova automobilística podem ser vistos no seguinte “reel”:

De Almodovar para Garzón

O realizador espanhol Pedro Almodovar produziu uma curta-metragem para apoiar o juiz Baltazar Garzón, condenado na semana passada a onze anos de inibição do exercício da Justiça por ter excedido as suas competências ao ordenar escutas entre réus e os seus advogados. Garzón está virtualmente afastado dos tribunais para o resto da vida, mas um erro de forma não apaga a voz que deu às vítimas de Pinochet, Franco e seus comparsas.