O ano dos ditadores mortos

2006 parece ser o ano da morte de todos os ditadores: depois do ataque cardíaco que livrou finalmente este mundo de Augusto Pinochet, Saddam Hussein foi enforcado esta madrugada, na sequência de um processo em que foi considerado culpado pela morte de 148 iraquianos em 1982 (o massacre de Dujail). Tal como Pinochet, Saddam escapou ao julgamento pelos maiores crimes que cometeu: foi responsável pela morte de milhares de iraquianos, entre os quais muitos curdos que não assistirão à sua condenação pelos crimes cometidos. O governo iraquiano, com a conivência da força de ocupação norte-americana, preferiu condená-lo rapidamente num processo sumário, realizado por um tribunal étnico, sem quaisquer garantias de uma defesa imparcial ou isenta. As posições da Amnistia Internacional e da Human Rights Watch são esclarecedoras.

Nenhum ditador merece viver. Mas nenhum merece uma morte rápida. Julguem-os com imparcialidade, condenem-os pelos seus crimes e deixem-os apodrecer na cadeia, meditando nas suas acções. A pena de morte não é a solução. Nunca.

[techtags: Saddam, Pinochet, pena de morte, direitos humanos]

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