Adeus, Poeta!

Com uns dias de atraso, que a malta andou a banhos…

Eugénio de Andrade (1923-2005)

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Bibliografia: Para além de numerosas obras colectivas, antologias de poesia, antologias de textos de diversos autores e traduções, destacam-se: Narciso, Lisboa, 1940; Adolescente, Lisboa, 1942; Pureza, Lisboa, 1945; As Mãos e os Frutos, Lisboa, 1948; Os Amantes sem Dinheiro, Lisboa, 1950; As Palavras Interditas, Lisboa, 1951; Até Amanhã, Lisboa, 1956; Coração do Dia, Lisboa, 1958; Mar de Setembro, s/l, 1961; Ostinato Rigore, Lisboa, 1964; Obscuro Domínio, Porto, 1971; Antologia Breve, 1972; Véspera da Água, Porto, 1973; Escrita da Terra e Outros Epitáfios, Porto, 1974; Limiar dos Pássaros, Porto, 1976; Memória doutro Rio, Porto, 1978; Matéria Solar, Porto, 1980; O Peso da Sombra, Porto, 1982; Branco no Branco, Porto, 1984; Aquela Nuvem e Outras, 1986; Vertentes do Olhar, Porto, 1987; O Outro Nome da Terra, 1988; Poesia e Prosa (1940-1989) – obra completa, 1990; Rente ao Dizer, 1992; À Sombra da Memória, 1993; Ofício de Paciência, 1994; O Sal da Língua, Porto, 1995; Pequeno Formato, 1997; Os Sulcos da Sede, 2001; Os Lugares do Lume, 1998; História da Égua Branca, Porto, 1976; Rosto Precário, 1979 ; Os Afluentes do Silêncio, 4.ª ed. refundida, Porto, 1979. (Fonte: http://www.infopedia.pt)

Advertisement
%d bloggers like this: